Dona Maria estava desesperada. Seu filho começava a aprender a escrever. Mas, vejam só! Escrevia tudo assim, emendadinho… Tudo junto – letras, sílabas, palavras e frases. Parecia mais desenho do que escrita. O que será que estava errado? Você vai descobrir neste artigo da Professora Leonor Scliar-Cabral.
Desafios para alfabetizar
Leonor Scliar-Cabral
Escrever “emendadinho”? Não há nada de errado neste fato. Absolutamente nada. As palavras, na fala, não são separadas por silêncio – e o que é mais complicado: não só as palavras na fala não são separadas por silêncio, mas, o que é mais complexo, os segmentos que compõem a sílaba não contrastam entre si.
Este é um dos maiores desafios para o alfabetizando, pois até se alfabetizar, ele percebe a fala como um contínuo. Mesmo para quem já está alfabetizado é difícil entender este fato, imagine para quem não é!
Natural x Institucional
Enquanto a fala é adquirida espontaneamente por qualquer criança normal (por volta dos 12 meses, ela produz as primeiras palavras), os sistemas alfabéticos têm que ser ensinados. Isto decorre principalmente por causa da grande dificuldade que explicamos acima. É muito complicado refazer uma percepção automatizada durante anos de aquisição da fala. Isso só acontece quando o indivíduo toma consciência de que tem que desmanchar a sílaba: num sistema alfabético como o da língua portuguesa do Brasil, uma ou duas letras (os grafemas) representam um fonema. Por exemplo: “v” representa /v/ e “sc” representa /s/, como em “nave” e “nasce”.
Uma identificação complicada
Além disto, o alfabetizando tem que automatizar a identificação das letras, em especial, o que diferencia uma da outra. Trata-se, às vezes, de um traço mínimo. Assim, a diferença entre “b” e “d”, está no fato de uma letra estar voltada para a direita e a outra para a esquerda, ou seja, no espelhamento, como em “bela” e “dela”. Novamente, trata-se de uma especificidade dos sistemas alfabéticos. Para reconhecer e identificar os objetos, tal traço é irrelevante. Uma xícara continua sendo uma xícara, não importa se a alça está voltada para a esquerda ou para a direita… Se você se olhar ao espelho, a imagem está invertida e nem por isto está representando outra pessoa.
Enfim, estas dificuldades têm que ser enfrentadas no processo do ensino-aprendizagem, porque somente quando o alfabetizando tiver automatizado os valores que os grafemas (uma ou duas letras) têm para representar um fonema, é que poderá ler com fluência e só lendo com fluência poderá compreender um texto – que é o objetivo principal da alfabetização.
Portanto, fiquem tranqüilos. Escrever emendadinho faz parte do processo e existem maneiras de alfabetizar para que a leitura ocorra de forma significativa. Estas maneiras você vai conhecer aqui, no Ler e Ser – inclusive como garantir a inclusão de alunos com necessidades especiais, tema do próximo post. Até lá!
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OI! TENHO UM ALUNO COM GRANDE DIFICULDADE EM TUDO FAZ 5 SÉRIE,POSSUI UM GRANDE DEFICIêNCIA NA LEITURA,OS PAIS DELE VINHERAM ATÉ MIM,PARA QUE EU POSSA DÁ AULA DE REFORÇO A ELE,QUAL É MÉTODO MAIS EFICAZ PARA ESSE ALUNO?
A primeira medida que esse pai deve ter é a de procurar outro professor. Uma pessoa que escreve VINHERAM não educa um filho meu, nem de graça!
abraço,