Era uma vez …
Existe desafio maior do que tornar o aluno um leitor? Isto em todos os mundos: primeiro, segundo, terceiro… E que felicidade quando o professor percebe que o aluno vai atrás de mais informações – corre o Google, busca na biblioteca, em bancas de revistas. É o aluno que reflete para além do ambiente escolar. É o aluno que se fortalece para o exercício da cidadania. Agora… como conseguir isto? Mariléia Reis dá uma boa pista neste texto.
Vencendo o analfabetismo funcional …
com a família na escola
Mariléia Reis
Pois é. Dias desses, visitei uma escola que abriu suas portas aos pais e comunidade para o reino encantado das histórias. A cada sala de aula, uma professora; a cada quinze minutos, uma nova história: para as crianças que lá compareceram, para grandinhos que as acompanharam.
Me pediram um feedback do evento, palavras da diretora. Mas, bem dentro de mim, lá, eu era mais uma das crianças que compareceu, a família que lá esteve. Apenas isso. Tudo isso. E abordei a grandeza da simplicidade daquele evento, como tudo aconteceu:
Era uma vez…
Era uma vez uma escola que muito me ajudou a entender como é fácil, simples e prazeroso viver o mundo da leitura. Era uma manhã de sábado de muito sol, quando minha escola, com maestria, nos contou suas histórias, várias histórias.
Era uma vez … um menino que queria ser adulto, acelerar a linha mágica do tempo, mas que perderia a sua história. A mamãe-canguru que procurava e procurava o pequeno filhinho na bolsa que, como toda bolsa de mulher, tudo nela cabia. Um coleguinha que jogava tanto videogame, mas tanto, que queria levá-lo até no piquenique. Pode? Um menino muito, mas muito maluquinho. Alguém que ia e voltava todos os dias para a casa e, no caminho, comia uma maçã e jogava o caroço no lixo, e dava flores para uma vovozinha.
A escola interativa
Era uma vez … uma escola que me ensinou a ler o livro, a vida, o bem-viver. Mostrou à família e colegas que podemos contar histórias dentro das nossas casas, sobre o nosso dia-a-dia. Trocou nossos velhos livros de histórias já contadas por novas histórias de velhos novos livros. E trouxe a família pra escola, não para fazê-la lembrar de seus deveres, mas para convidá-la a brincar. Brincar de contar histórias, brincar de ser criança.
Era uma vez … uma escola que escondia em cada professor e pedagogo um artista da leitura, que contaram e encantaram com suas histórias, sem falar sobre leitura, mas muito bem a exerceram. Uma escola que nada disse, mas muito mostrou. Nada falou, mas muito significou. Nada teorizou, mas muito edificou. Esta é a escola do fazer-contextualizado, da prática da leitura como uma das mais importantes práticas sociais de cada um de seus alunos.
A importância de ler
E foi assim que a escola cumpriu prazerosamente a missão. De volta para a casa, fiquei pensando que era isso mesmo que a nossa escola precisava fazer, porque dizer, todos já dizem: -É muito importante a leitura, a leitura é muito importante!
E é sempre assim mesmo, de modo muito repetitivo.
Leitura e escrita são habilidades do nosso dia-a-dia. Na tevê, as campanhas, ainda que poucas: Ler para ser cidadão. No supermercado: A melhor frase sobre esse produto vai concorrer a tal prêmio. Mattoso Câmara: Só escreve bem aquele que sabe bem o que vai escrever. No programa infantil: Quem contar a melhor história vai levar esse game para casa.
Então, é importante lermos. Mas, de fato, quem, naquela manhã de sábado, ensinou e motivou as crianças para a leitura foi a escola que trouxe a família para brincar junto.
Foi naquele sábado de manhã que ela fez suas crianças entenderem que a leitura nada mais é que uma interação entre sujeitos e sociedade. Bom, mas isso é outra história, de novo a teoria.
E essa é a história dos Pedrinhos e Mariazinhas que lá compareceram. Era uma vez uma escola que conceituou leitura, combateu o analfabetismo funcional, definiu letramento sem, sequer, usar uma destas palavras que, como qualquer outra, tão abstratas o são. Mas o fez. E bonito o fez. Contar história é uma das mais antigas práticas de letramento, de interação entre o maior representante social: o homem, um ser que fala, que conta e encanta com suas histórias. Antes, nas cavernas. Hoje, na escola. Com a família na escola. Era uma vez…
Esta história continua no próximo post - você vai conhecer os principais desafios para aprender a ler! Até lá.
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Ethel, essa é a escola dos meus sonhos. Sabe que lendo esse seu post me deu a idéia de transformar algumas estorias do era uma vez, como a da Cinderela, a Branca de Neve, etc numa pequena pecinha onde nós os pais pudéssemos encen ar na própria escola para os nossos filhos? Acho que a criancas vai amar ver a mame sendo uma Rapunzel, etc. Vou ver o que eu consigo fazer com a escola do meu filho por aqui.
Estou a espera do próximo post.
Boa semana e um grande abraco
Georgia, ótima idéia. Pode fazer peças, pode fazer apenas uma leitura divertida, ou cada um contando/reinventado sua própria história. Como coloca a Mariléia, o importante é estar próximo, divertir-se, que ler é sempre um prazer! Boa semana! Ethel
PS: Depois nos conta como foi, mande fotos!